• Hildebrando Couto Santos

A tirania e abuso não tem gênero, e todos somos vítimas de um sistema que oprimem homens e mulheres

Atualizado: 15 de Nov de 2018


Um texto sobre o desenvolvimento masculino, relação entre homens e mulheres, Patriarcado, e as consequências na vida de um Homem, e mulheres também. Também é sobre a opressão que os homens sofrem no seu dia a dia também, e que é considerada irrelevante para toda uma Sociedade, e ela mesmo paga o preço de não olhar para isso.


Somos todos consequências de um sistema de coisas, que "coisifica" as pessoas. E uma das coisas que nos transformamos é em um objeto a serviço da economia, das marcas, dos interesses de todo o tipo, inclusive interesses que nascem dentro de nós mesmos em nome de poder, status. Também devemos compreender porque este sistema de “coisas” encontra respaldo e eco em toda a Sociedade, e uma hipótese forte é que normalmente está associado as nossas carências pessoais, as nossas “mazelas” e “frustrações” na vida, e a nossa necessidade de “vingança” diante do que sofremos em algum momento na vida (ou na história da Sociedade).


O homem também sofre os impactos desta coisificação, e ele não é o culpado exclusivo pelas consequências de tudo o que vemos de violência, de agressões, de abusos, de opressão gerado contra as mulheres, e contra a Sociedade. Este homem também foi direcionado como "arma", e assim ele foi educado também, e uma arma não tem sentimentos e não demonstra emoções. Ele também, muitas vezes, é a vítima. Homens também sofrem abusos de todos os tipos, também sofrem violências...e principalmente sofrem calado e sozinho com suas dores emocionais (e físicas, espirituais).


Se você é um homem que está lendo este texto, se pergunte: quantas vezes você sofreu abuso emocional? Quantas vezes você foi colocado a margem como uma pessoa sem importância e você não conseguiu se posicionar? E mais do que isso, quantas vezes você não conseguiu ter força para se impor da forma como o momento te pedia, e entregou a decisão a um autoritário ou autoritária, tirânico ou tirânica?


E fiz questão de citar, na última pergunta acima, os dois “lados da moeda” na relação de gênero, porque muitas situações são criadas por mulheres tirânicas, com energia masculina muito forte, desregulada, que têm atitudes de alto controle sobre o outro (principalmente homens), porque não confiam no masculino, e portanto não confiam nos homens (para absolutamente nada). E homens que entram numa relação assim tendem a desrespeitar mais ainda sua energia masculina, e a masculinidade como um todo (inclusive outros homens e sua linhagem familiar masculina) tornando-se mais fracos ainda perante a Sociedade, e não tendo capacidade para assumir de forma ampla as suas responsabilidades.


Par deixar um pouco mais claro, quando falo sobre a palavra "fraco" estou remetendo ao sentido que julgamos sobre “ação”, “criação”, “fazer”, “tomar as rédeas" (quando esta for a sua responsabilidade).


A “tirânica” perante o “fraco”, tem o mesmo sentido da relação entre um “agressor” (no sentido de bruto, violento, abusador...) com a vítima mulher que é abusada (física e emocionalmente), e servem a um sistema de valores opressor (para as mulheres que estejam lendo este texto indico conhecer o trabalho da especialista em mulheres Elisangela Corrêa, fundadora do Instituto Voo das Borboletas, e criadora do Método Voo da Borboleta, com anos de atuação em desenvolvimento feminino).


Como homens, devemos muito a uma sociedade inteira, isso é claro para mim, porque fomos protagonistas de guerras (grandes ou pequenas, como executores ou mentores), inclusive aquelas pequenas outras guerras nas nossas famílias e convívio social. Mas não somos os únicos culpados, também somos vítimas.


Mas como chegamos e assumimos um papel ou outro, de vítima ou culpado? O que na trajetória de toda uma sociedade, e na história pessoal de cada um, o levou a este comportamento? Existe um sistema cultural, e mesmo com suas variações no mundo, no Oriente e no Ocidente, seguem uma lógica e uma norma, definida mais precisamente pelos interesses econômicos, políticos e sociais, e o Patriarcado é um elemento a ser observado, mas de uma maneira mais abrangente do que formulações de críticas que minimizam o real foco sobre como geramos nossa base cultural (que se manter desta forma, podemos gerar um Matriarcado também opressor).


Mas vejam, mesmo no sistema cultural que privilegia o homem como "autoridade", na prática, principalmente no Ocidente, os homens vem vivenciando o distanciamento da sua natureza masculina, porque há algum tempo que as Sociedades desbancaram os meios de convívios e ritualísticas (iniciação) do homem na vida adulta. Há um sistema de crítica desenfreada (e já podemos afirmar que é opressivo) que submete o homem sob todas as culpas de tudo de ruim que ocorre na sociedade, e desde criança o menino já é exposto a esta base crítica, consolidando uma espécie de menosprezo ao masculino. Este mesmo menino já cresce não valorizando o próprio Pai, não valoriza o avô (nem qualquer outra figura masculina da sua família ou comunidade) e para completar fica sem referência do que é um "homem de verdade". A própria visão sobre quem é o Pai ele constrói a partir do que a mãe te traz, o conceito de família e o que é o seu papel na sociedade também vem de uma figura feminina, que normalmente são as professoras, mulheres.


Abaixo tem um exemplo de como ocorriam nas sociedades indígenas as iniciações do menino, que normalmente partia da identificação de comportamentos que indicavam que ele já estava precisando fazer a passagem de etapas. Os homens da tribo ajudavam este menino a se tornar uma nova pessoa para ter acesso as responsabilidades como homem:



Na nossa Sociedade, o menino não passa por um processo de iniciação na vida adulta, atualmente não recebe lições vindas de outros homens, e o máximo que vem de outros homens só vem de outros meninos da sua idade, que estão perdidos como ele, sem bases como ele, e aí nascem os conceitos e as vivências que nortearão a vida adulta dele: a percepção sobre as mulheres, sobre a sexualidade, sobre a base familiar, sobre seus papéis na sociedade, sobre seu convívio com outros homens (porque nesta fase também surgem alguns traumas no convívio com outras figuras masculinas). É este o menino que vira um homem e é mais subjugado ainda pela Sociedade, pelas mulheres, sem força para se posicionar, sem força até para assumir suas responsabilidades, e tem muitas dificuldades de assumir sua própria natureza masculina, porque sequer aceita também a energia feminina que existe dentro de si.


O Patriarcado é uma questão cultural mais ampla, e não uma figura ou sistema de governo criado por decreto ou por uma Constituição, ou por uma lei qualquer. Portanto, o que estamos fazendo dentro dele é o que inicialmente devemos nos questionar, cada homem, cada mulher, cada um com suas responsabilidades, até chegar um novo tempo de um novo sistema cultural baseado no respeito mútuo entre as energias masculinas e femininas, entre homens e mulheres, e até num novo matriarcado.


Foi a partir destas avaliações que criei o "SAGRADO CAMINHO MASCULINO - Workshop vivencial para homens", que vai acontecer em Março/2019. Para apresentar os temas e abordar alguns outros sobre homens, estarei fazendo alguns bate papos e rodas de conversa.


Saiba mais sobre mim e sobre o meu trabalho com homens, assim como a minha história de vida e experiências -> http://www.hildebrandocoutosantos.com


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